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25.06.09

BRASIL. Seminário Internacional de Dados Desagregados por Raça e Etnia da População Afrodescendente das Américas

Termina em Brasília evento sobre raça e etnia nos censos
Sexta-feira, 26 de junho de 2009 - 11h00m

A coleta de dados desagregados por raça/etnia nos censos 2010/2012 foi tema de um evento que terminou dia (24) na capital federal.

Durante dois dias, especialistas em indicadores sócioeconômicos de vários países, representantes de institutos internacionais de pesquisa, das Nações Unidas e do governo brasileiro discutiram o tema em rodas de debate no Seminário Internacional de Dados Desagregados por Raça e Etnia da População Afrodescendente das Américas.

“Este é um momento histórico para o tema. É muito difícil reunir tantos especialistas e países em um evento”, comemorou um dos especialistas participantes, Marcelo Paixão, professor do Instituto de Economia da UFRJ. Segundo ele, o seminário deve gerar referências reais para os países em relação a estatísticas sobre afro-descendentes.

O seminário foi realizado pela SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) em parceria com IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), IPC-IG (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), e o MRE (Ministério das Relações Exteriores), com apoio de Agências das Nações Unidas, incluindo o UNFPA.

Desagregação de dados é desafio, afirma especialista
O Assessor Regional do UNFPA na área de censos, Carlos Ellis, veio especialmente ao Brasil para participar do evento.

Com mais de 30 anos de trabalho junto às Nações Unidas, seis dos quais com o UNFPA, Ellis, que é especialista em bases de dados, falou sobre a rodada de censos de 2010 e a inclusão de dados sobre populações afro-descendentes, a chamada desagregação de dados por raça e etnia.

Com uma apresentação focada no trabalho das instituições como o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsáveis por dados estatísticos e censos na América Latina e Caribe,

Ellis acredita que o seminário foi muito importante, já que muitos países da região estão finalizando o conteúdo dos questionários do censo. “Se quisermos incluir o tema dos afro-descendentes nos censos, este é o momento”, afirmou.

No entanto, o especialista diz que ainda há vários desafios para que essa abordagem se concretize nos países latino-americanos.

“É preciso sensibilizar as agências governamentais e os próprios afro-descendentes para a importância de se desagregar os dados. Para isso é preciso mobilizar governos, adaptar questionários e promover campanhas de divulgação antes dos censos”, explicou.

Até agora, poucos países incorporaram a desagregação de dados por raça e etnia. E, entre aqueles que incluíram essa abordagem em seus censos, a captação não foi sempre adequada. Para Carlos Ellis, é preciso aperfeiçoar os procedimentos e as entrevistas para coletar essas informações.

Segundo o especialista, há bases de dados com informações sobre as populações afro-descendentes apenas nos países que incluíram perguntas específicas em seus censos.

Na rodada de 2000 do censo, nove dos 19 países da região fizeram isso: Brasil, Costa Rica, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

Na rodada de 2010, quatro países já começaram o censo mas apenas três (Colômbia, Nicarágua e El Salvador) incluíram perguntas de auto-reconhecimento dos entrevistados como afro-descendentes.

“Normalmente os entrevistados preferem não responder a essa pergunta ou respondem de maneira equivocada pois se sentem diminuídos. Isso prejudica a qualidade dos dados coletados e, em última análise, dificulta que as políticas públicas reflitam as necessidades dessas populações”, comentou Ellis.

Geralmente as populações afro-descendentes são as que estão sujeitas a mais vulnerabilidades e as que enfrentam as situações mais difíceis, em “bolsões”, isto é, concentrados geograficamente sem uma distribuição uniforme pelo território.

“Muitas vezes, esses bolsões coincidem com os bolsões de pobreza e, se não se desagregam os dados sociodemográficos por raça e etnia, sua situação crítica passa despercebida”, explicou Ellis. “

Ao se integrarem os afrodescentes à população em geral, o problema se dissipa a tal ponto que até o mais hábil analista poderia não ver os casos críticos e, com isso, perder a oportunidade de buscar alternativas para atacar os problemas existentes com medidas orientadas especificamente para a população mais vulnerável”, completou.

FUENTE
http://www.douradosagora.com.br/not-view.php?not_id=256872

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